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E-commerce: um desafio de cultura corporativa

Elana Arrieta. Jornalista da “EXPANSIÓN” especializada em Transformação Digital

Preocupa-me a frequência com que se escuta o quão fácil, rápido e barato é criar uma loja online. Tecnologicamente falando, é assim, pelo menos ao princípio, mas implementar o negócio e anunciá-lo para atrair clientes custa muitos milhares de euros anualmente. Uma loja online, ao fim ao cabo, não é tão difícil de montar como um site de e-commerce para um negócio de logística, com tudo o que o mesmo implica em questões de gestão de stock e cuidado com margens de lucro. Um trabalho que não se justifica. Recorrendo a um conhecido exemplo, a Privalia, precisou de uma injeção de 70 milhões de euros em 2010, principalmente destinada a resolver alguns problemas de circulação que a estrangulavam.

O marketing é outra etapa fundamental de um negócio digital. Embora nem tudo dependa de um grande orçamento para SEM, não há dúvida da sua ajuda.

Finalizar uma ronda de financiamento com um investidor também não é necessariamente um bom sinal. Cada vez que uma tecnológica finaliza uma ronda de investimento, cede uma parte do seu capital e poder de decisão.
Em suma, é aconselhável ser Cauteloso ao falar sobre “negócios digitais bem-sucedidos” pois em muitos casos, nem tudo o que brilha é ouro.

Apesar do tom negativo com que comecei o artigo, devo confessar a minha paixão absoluta pelo ambiente digital. Como compradora online habitual, valorizo a facilidade com que, hoje, se compra qualquer artigo através da internet.

Uma loja online é uma loja aberta 24 horas por dia, 365 dias por ano e, regra geral, oferece ainda um catálogo mais vasto do que aquele que poderia encontrar numa loja física.

Na minha opinião todas as empresas deveriam vender online. O salto que as marcas de luxo deram para o online, como a Coach ou a Tiffany, demonstra que o valor de uma marca não se deteriora pelo facto de estar disponível na internet, mas por prestar um mau serviço aos seus clientes. Se a experiência de compra for boa, a sua marca estará protegida. Na verdade, é até bastante possível que seja reavaliada.

Por agora, especialmente nas grandes empresas, as novas ideias demoram muito tempo a concretizar-se. Como jornalista especializada em transformação digital, tenho a sorte de quase diariamente encontrar técnicos e diretores de empresas de todos os setores, e atrevo-me a dizer que em 99% dos casos, a maior barreira para uma transformação digital bem sucedida, não é a falta de recursos especializados mas sim a cultura corporativa obsoleta.

Em muitas empresas, o departamento de e-commerce é visto internamente como concorrente do resto do negócio. Ambos lutam pelo orçamento e pela atenção do CEO.

Gostaria de encorajar todas as empresas a dar um salto de fé e confiar nas diversas oportunidades que a web proporciona. Vender pela internet exige um compromisso firme e que toda a organização seja dotada de uma cultura que favoreça novas experiências, agilidade na tomada de decisões e intra-empreendedorismo. Uma cultura onde os colaboradores possam sentir-se parte de um projeto de futuro e onde a mudança represente uma oportunidade (em formação, projeção, acréscimo de responsabilidades…) e não um perigo iminente  para o seu posto de trabalho. Uma cultura que incentive a criação de ideias e que não penalize o fracasso. A cultura digital não é um exclusivo das start-ups e dos millenials.

Atreve-se a tentar?

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