E-COMMERCE Gestão e Logística

Brexit: Consequências inevitáveis no E-commerce

A decisão da Grã Bretanha de abandonar a União Europeia nos próximos 2 anos, mudará o ecossistema do comércio online em toda a Europa. Assim sendo, o E-commerce na Europa, encontra-se atualmente numa encruzilhada , embora as novas leis relativas ao pagamento e bloqueio geográfico de produtos, também estejam nas etapas finais de adaptação. Por isso mesmo, a análise das consequências da implementação do Brexit é tão importante neste momento, tal como as suas repercussões no E-commerce europeu.

Primeiros efeitos do Brexit

Há que destacar que assim que se levou a cabo o referendo para o Brexit e se contabilizaram os resultados, os mercados financeiros refletiram a sua posição face à decisão e a libra começou a perder valor em relação ao euro. Quando a libra perdeu valor, os custos das compras em E-commerce internacional, aumentaram para aqueles que compram produtos fora do Reino Unido.

Embora seja verdade que as empresas que se concentram no Reino Unido, possam verificar um impulso a curto prazo, conforme a libra aumente o seu valor em relação ao dólar, as vendas internacionais e para os EUA podem tornar-se um novo gerador de receitas das empresas de E-commerce que se encontram baseadas no Reino Unido.

Também há que ter em consideração que o UK tem um dos mercados mais desenvolvidos ao nível do E-commerce e para além do mais, a percentagem de comércio de retalho neste país é o mais elevado de toda a Europa. O mercado do UK representa 157.100 milhões de euros, enquanto o gasto médio por comprador online representa 3.625€.

Desvantagem competitiva

Há muitos anos que o Reino Unido é visto como o porto de entrada para Europa por muitas empresas. Uma vez finalizado o processo do Brexit, as empresas de E-commerce baseadas neste território, teriam uma desvantagem competitiva em relação às empresas com sede noutros países da UE. Como consequência, o UK perderia a sua atratividade comercial e a Alemanha ou os Países Baixos poderiam converter-se numa nova opção à entrada para o mercado europeu, especialmente devido à sua localização geográfica central.

O que significa o Brexit para o seu negócio E-commerce?

As consequências do Brexit serão significativamente diferentes, de acordo com as especificidades de cada negócio e a quantidade de produtos ou serviços que exporte. O E-commerce também conta com regulações específicas ao nível da proteção de dados e armazenamento, aspetos que também terão de ser abordados.

Negócios E-commerce baseados na UE no Reino Unido

Para a maioria das empresas sediadas na EU e no UK, será um negócio que funcionará normalmente, porém, os mais afetados, serão aqueles que possuam fortes laços comerciais com o Reino Unido. Em vantagem, ficarão os negócios E-commerce sediados na EU, que ainda terão 27 parceiros dentro do acordo do livre comercio. Naturalmente, existirá um impacto para ambas as partes, no entanto, menor para empresas com sede na União Europeia, enquanto, as empresas sediadas no Reino Unido poderão ter de se focar no mercado nacional.

Leis e Regulamentações

Para todas aquelas empresas Ecommerce da União Europeia, o mais provável é que exista uma solução de backup, sobretudo porque os restantes 27 membros da UE continuam a partilhar os mesmos stardads no que respeita a produtos e práticas comerciais. Apesar das leis e das regulamentações poderem ser modificados no UK, numa perspetiva a curto prazo, é muito mais provável que se passe por um período de transição.

Isto traduz-se na possibilidade das leis e regulamentações começarem a diferir paulatinamente, ao fim de 4, 5 anos após a implementação do Brexit.

Para além do mais, os impostos e tarifas ao exportar produtos para o Reino Unido, poderão aplicar-se, no caso de não se chegar a acordo. Por sua vez, para as empresas com sede no Reino Unido, a situação é ainda mais complicada, como já se mencionou, as empresas mais afetadas neste cenário são aquelas que tenham uma relação comercial mais forte com a UE.

O que acontecerá à supply chain?

O Brexit também terá um efeito na supply chain. Para começar, as empresas internacionais da União Europeia, têm a possibilidade de subcontratar em vários países diferentes o fabrico de partes da sua produção, em particular quando nos referimos a indústrias pesadas, como por exemplo, a automóvel, farmacêutica ou aeroespacial. Um panorama muito comum é as empresas irlandesas receberem produtos de fornecedores de fora do seu país e vice versa.

No caso de ocorrer o Brexit, estas relações comerciais poderiam simplesmente ser interrompidas, a partir do primeiro momento da sua implementação. Assim sendo, é muito provável, que no caso do seu negócio online se encontrar na União Europeia, o mais conveniente seria procurar novos parceiros comerciais dentro deste território comercial.

As relações comerciais

Obviamente, as relações comerciais entre os países da União Europeia também serão afetadas como consequência da implementação de taxas e tarifas, assim como o fim de dos direitos de livre circulação para setores estratégicos. Também é possível prever uma diminuição das exportações do UK e consequentemente um potencial aumento do desemprego.

Efeitos diretos no E-commerce

A indústria física será afetada, sem dúvida, mas também a indústria online, especialmente nas 3 áreas específicas que detalhamos abaixo.

Armazenamento de dados P2I

A Lei da Proteção de Dados entrou em vigor em maio de 2016, fornecendo uma estrutura muito mais rigorosa em relação às regras que afetam os locais, bem como os direitos de utilização dos dados que os utilizadores partilham na Internet.

Isto poderia representar a implementação de regulamentações mais restritas face ao armazenamento de informação, uma vez que o Reino Unido deixaria de pertencer à União Europeia. Neste sentido, a análise e tratamento de informação pessoal será afetada.

Transações Internacionais

Outro efeito do Brexit no que toca ao E-commerce, relaciona-se com as transações internacionais. Sendo que o UK se retiraria automaticamente da área comum do IVA da União Europeia, bem como da União Aduaneira, no caso de uma transação internacional, o IVA seria pago no país de fornecimento, o que poderia levar o consumidor a pagar por um produto que no final seria muito mais caro.

Pressupondo que o governo aplica um imposto aos vendedores externos, isto significa que o produto seria muito mais caro comparativamente ao mesmo produto, vendido por uma empresa com sede no Reino Unido. Este fenómeno reduziria o volume de vendas em E-commerce de forma imediata em ambos os casos.

Flutuações de preços

Outra consequência do Brexit no que respeita ao comércio eletrónico, é a flutuação de preços. Não será surpreendente verificarmos uma desvalorização ou reavaliação da moeda após a implementação do Brexit, o qual pode favorecer as importações e exportações. Para além do mais, as desvalorizações e reavaliações da moeda, também implicam uma reestruturação da estratégia de definição de preços de um negócio online.

Independentemente do que suceder, é recomendável que comece a considerar as suas opções e modus operandi face cada possibilidade.

 

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