Marketing e Negócio

Comércio eletrónico cresce para dois dígitos na Europa

O Comércio eletrónico B2C na Europa continua a crescer aceleradamente. No ano passado, aumentou a uma taxa de 11%, alcançando uma faturação de 534 biliões de euros. A previsão de crescimento para este ano é de 13%, o que significa que a faturação de vendas a retalho online poderá atingir os 602 biliões de euros até ao final de 2018.

Os dados do European B2C Ecommerce Report 2018, que acaba de tornar público o eEcommerce Europe e o EuroCommerce, exibindo as principais tendências e números do comércio eletrónico na Europa.

O estudo mostra que a venda a retalho está mais profundamente enraizada nos países da Europa Ocidental, que representam 68% do volume de negócios total. A sua infra-estrutura avançada, a recorrente utilização da Internet nas residências e o alto nível de confiança dos consumidores nas compras online explicam esse facto.

Por sua vez, os países do sul da Europa, norte da Europa e Europa Oriental correspondem a 12%, 8% e 6%, respetivamente, do total do comércio electrónico europeu. São essas regiões, no entanto, que estão a crescer mais rapidamente.

O relatório aponta para o Reino Unido, a França e a Alemanha como os três principais mercados, com uma previsão de facturação no corrente ano, respetivamente de 178.000, 93.200 e 93.000 milhões de euros.

Para Christian Verschueren, director geral da EuroCommerce, os números mostram “como o rápido crescimento das vendas online está a impulsionar, e ao mesmo tempo, a responder às mudanças no comportamento de compra dos consumidores. Nos mercados em que esta tendência ainda é lenta, o progresso poderia ser muito maior se se investisse em infraestruturas de comunicação e logística indispensáveis à eficácia e prosperidade do e-commerce”.

Introdução do comércio online

A percentagem da população que compra online difere fortemente de país para país. Ela oscila entre 82% dos suecos ou suíços e 20% dos habitantes da Macedónia. Tanto os jovens (15-24 anos) como a população adulta (25-54 anos) são grupos etários que compram online com maior frequência (71% deles), enquanto que a percentagem cai para 56% para quem tem mais de 55 anos.

Silvio von Krüchten, co-fundador e CEO da i-ways Sales Solutions, aponta para os dois grupos demográficos cujo consumo online está a crescer mais rapidamente: os ‘milenials’ e principalmente os ‘value-seekers’. “Nós já os vemos como o mais importante segmento de novos compradores, já que eles são principalmente utilizadores móveis, muito seletivos, viram muitas experiências de compra e, portanto, facilmente deixam um website ou uma loja se não cumprirem com as suas expectativas “, diz no relatório.

E o que é que os europeus compram? Especialmente vestuário e produtos desportivos (36%), seguido de viagens (31%), software e meios de comunicação (31%), utensílios domésticos (26%), entradas para eventos (22%), alimentos (14%), equipamentos eletrónicos (14%) e medicamentos (8%).

O que compram os europeus? / European E-commerce Report 2018

Comércio eletrónico transfronteiriço cresce

Mais de um terço dos consumidores (38%) já realizam as suas compras em websites não locais. Nesta perspetiva, também existem grandes diferenças entre os países: enquanto 85% das compras de internautas portugueses ou macedónios são feitas em sites estrangeiros, em países como a Roménia e a Turquia este número é de apenas 3% ou 2% das compras, respetivamente.

Entre as dez lojas que lideram as vendas online na Europa não há nenhuma portuguesa. Sendo elas: Amazon, Argos, Bonprix, Currys, Debenhams, Decathlon, Deichmann, Halfords, Homebase, House of Fraser e Marks & Spencer.

O relatório reafirma a importância dos mercados globais, como Amazon, Alibaba ou eBay, que representam 56% de todo o comércio transfronteiriço. Ian Jinda, editor-chefe do Retalho na Internet, explica “as marcas que vendem os seus produtos diretamente sem ter que passar por um intermediário são mais sensíveis às expectativas e experiência dos consumidores do que os retalhistas tradicionais. Embora os retalhistas ainda sejam muito importantes nos seus próprios mercados, vemos que as marcas Pan-europeias rivalizam com os gigantes do país em termos de impacto e desempenho. Vemos que esta tendência continua”.

Desafios do setor

O estudo também revela os desafios que os consumidores enfrentam quando fazem compras internacionais pela Internet. Reclamam, principalmente, de prazos de entrega superiores aos indicados (17%), de falhas técnicas (13%) e de produtos danificados ou errados (9%). Também é preocupante a dificuldade em encontrar informação relativa a garantias ou direitos de consumo (5%), as respostas insatisfatórias após uma queixa (4%), a fraude (3%) ou que o vendedor estrangeiro não venda para o seu país (3%).

Em geral, o desempenho logístico desenvolve um papel crucial no sucesso da introdução e integração do e-commerce. “Há grandes diferenças na infraestrutura de logística local, opções e métodos de entrega, bem como no armazenamento, e essas diferenças podem ser problemáticas para as empresas que desejam expandir-se para além das fronteiras sem o conhecimento e apoio adequados para garantir que a experiência do cliente é a mesma”, diz Renaud Marlière, diretor de vendas e marketing da Asendia. Destacam-se neste campo a Alemanha, o Luxemburgo, a Holanda e a Suécia, que ocupam no topo da lista de países europeus de acordo com o Índice de Desempenho Logístico do Banco Mundial.

Marlière acrescenta outro desafio: os hábitos de consumo e a identidade, que variam de um país para outro. “É crucial para os retalhistas relembrar que um pouco de conhecimento local pode ser muito útil e pode ajudar a criar uma vantagem competitiva”, aponta.

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