EXPERTS

Avançar em análise de métricas digitais – Parte 2

Gemma Muñoz. Cofundadora e CEO de A Arte de Medir

Estratégia de dados

Por tudo isto, é cada vez mais premente desenvolver estratégias de dados de modo a garantir o sucesso de uma organização. Para aproveitar ao máximo todos os dados, deverá focar-se em três tipos de foco ou estratégias: uma, orientada para o cliente, de modo a elevar ao expoente máximo a personalização e o conhecimento tido acerca do cliente ou potencial cliente; outra, orientada para otimizar ao máximo a experiência proporcionada ao cliente nos diversos canais e, por fim, uma terceira, destinada à gestão financeira, para que se retire o máximo proveito dos orçamentos das diversas áreas da empresa, obtendo a melhor distribuição possível do seu dinheiro. A partir daqui, decidirá quais as ferramentas e tecnologia necessária para garantir que terá os dados necessários das fontes que precisa, podendo transformá-los em informação e posteriormente em conhecimento.

Este processo parte daquilo que está a acontecer, de onde são feitas as descobertas e a exploração (sistema descritivo), para tentar entender o que aconteceu, o que poderia ter acontecido ou aquilo que acontecerá, através da análise de métricas-chave, da análise preditiva e construção de modelos, chegando por fim, às ações que devem ser tomadas com toda a informação “em cima da mesa”.

Ou seja, dá-se a passagem de sistemas descritivos para sistemas preditivos e, posteriormente, para entrar plenamente em sistemas cognitivos. A investigação tradicional não morre, contudo, a aprendizagem por parte dos robôs está em crescendo e, sendo capazes de investigar por si próprios, são dotados de algoritmos cada vez mais complexos para determinar até onde é possível chegar.

A capacidade de ver os dados em tempo real e de forma interativa, possibilitando a tomada de decisões no momento certa é também óbvia e fulcral.

Resumindo, a ideia é partir sempre de perguntas que se transformem em hipóteses com base em indicadores e dimensões, construindo diariamente, uma infraestrutura que seja flexível e escalável, que não armazene por armazenar, de modo a que no final não se gere apenas ruído.

Um ativo da empresa

Os dados são um ativo e à que geri-los como os demais ativos da empresa. O objetivo, a curto prazo, é claro: o desafio atual é a rastreio do cliente através da tecnologia; ver o cliente como um todo: temos vários canais que são utilizados de forma diferente por diversos tipos de utilizador de acordo com o seu perfil. O ecossistema mudou e, com isso, também a forma de medir a nossa eficácia. Todos somos canais. O conceito on e off morreu. Tudo está conectado.

Ou seja, a informação deve ser multicanal. O objetivo da análise não é ter uma imagem das diferentes fontes de dados, mas sim gerar oportunidades de otimização em todos os canais com os quais o utilizador interage, de modo a que as empresas devam deixar de conduzir os seus dados em silos e passem a trabalhar com toda a informação num só lugar, gerando relatórios contextualizados e trabalhando sobre os diversos canais na sua totalidade.

Para nos focarmos no cliente e nas ações que realiza connosco, é necessário construir uma base sólida que se apoie no nosso conhecimento, baseado em insights que provem que as interações, o estudo do marketing, tudo o que ocorre em real time, os canais e dispositivos que utilizam, etc… A base de tudo isto são os dados, tanto dos sistemas como dos clientes.

Assim como o conhecimento é a adaptação da mente ao que se pretende conhecer, em termos analíticos é conveniente adaptar as ferramentas (o armazenamento de dados, o seu processamento, a análise com base neles) ao problema da empresa. Não o contrário. Não se deve adequar os problemas da empresa ao que podemos saber através da tecnologia. Não irá funcionar, porque o importante é entender que tipo de respostas necessário para saber que dados ou métricas farão falta e, com base nesse pedido, decidir o recurso tecnológico apropriado.

Ou seja, não podemos deixar de crescer em conhecimento enquanto crescemos em tecnologia. Devemos investir o mesmo tempo e dinheiro em tecnologia do que em saber aquilo que estamos a desenvolver. A tecnologia já está aqui, agora à que passar dos dados ao conhecimento.

A chave do sucesso não está nos dados, mas sim no impacto destes no negócio, porque primeiro à que identificar as fontes internas para homogeneizar e agilizar processos, depois, fazer a filtragem e validação de dados, porque nem tudo é útil. À que trata-los e convertê-los em inteligência e realizar a devida análise para os converter em conhecimento.

Em suma:

O importante é entender o tipo de respostas necessárias para saber que dados ou métricas são precisas e, com base nesse requisito, escolher a tecnologia apropriada.

Passou-se de sistemas descritivos para sistemas preditivos e, agora está-se a chegar aos sistemas cognitivos.

Os dados devem ser uma vantagem competitiva, uma vez que a informação é a alavanca que pode impulsionar as organizações  a dar o salto, ao operar de forma mais rápida e sólida.

Aqui encontra os melhores conteúdos para o seu e-commerce